Caçador
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Floresta Modelo

Caçador

 

Brasil

Localização

Municipio de Caçador, estado de Santa Catarina

Extensão

98 429 ha

 

POPULAÇÃO

79 313

 

Ano de adesão à RLAFM

2013

CONTATO

 

Maria Augusta Doetzer Rosot

augusta.rosot@embrapa.br

Mariana Soares Philippi

eng.amb.mariana@hotmail.com

Antecedentes

 

¿Por que a Floresta Modelo do Caçador foi criada?

 

No território da Floresta Modelo do Caçador (FMCDR) as florestas nativas de araucária e as plantações florestais equivalem a 52% da área total. Isso explica a vocação florestal do território, e um dos motivos da criação da FMCDR. Por outro lado, a legislação restritiva referente ao uso comercial de produtos madeireiros da floresta de araucária teve como consequência o desinteresse dos proprietários em toda e qualquer ação de manejo dessas florestas. O principal desafio da FMCDR é promover a valorização da floresta por meio da pesquisa e proposta de alternativas silviculturais que envolvam a produção de bens (madeireiros e não madeireiros) e serviços, e que os métodos, técnicas e tecnologias possam ser adotados por proprietários rurais.

 

¿Como foi concebida a iniciativa?

 

A ideia de criar a FM em Caçador foi concebida em 2006 durante o II Congresso Latino-Americano da IUFRO em La Serena, Chile, onde membros da Embrapa Florestas (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), equipe de pesquisa de Caçador, conheceram o conceito Floresta Modelo e a existência do RLAFM. O processo de construção e consolidação da FM foi liderado por esta instituição e em 2008 foi organizada uma reunião pública com a comunidade local, com a presença de representantes do território (prefeitura, proprietários vizinhos da reserva, administradores de áreas protegidas, instituições responsáveis pela controle ambiental, professores, universidades, empresas florestais, comerciantes, polícia ambiental, engenheiros florestais, agricultores, extensionistas, lideranças comunitárias, jornalistas, entre outros) para apresentar os resultados do projeto “Desenvolvimento de modelos inovadores para a gestão de áreas protegidas: estudo de caso de uma área de Floresta Ombrófila Mista e seu entorno” e, junto com ele, a proposta de criação de uma FM na região. O evento teve grande repercussão pela divulgação realizada na cidade de Caçador, por meio da rádio local e pela comunicação entre os vizinhos que compareceram ao encontro. Em 2011 foram propostos possíveis participantes da iniciativa e em 2012 consolidou-se a intenção de formalizar a formação do Conselho da FMCDR. Nesse processo, também houve trocas com as FM existentes no Brasil até o momento, gerando importantes e diversas expectativas em todos os atores interessados.

Paisagem

¿Qual a sua diversidade biofísica?

 

Os 98.429 ha da FMCDR estão localizados no município de mesmo nome, no Estado de Santa Catarina. Seu território é fortemente marcado pela presença da bacia hidrográfica do Rio do Peixe. A topografia da FMCDR é irregular, intercalada por montanhas, planaltos e vales. A altitude média do território municipal é de 1.000 metros acima do nível do mar, o ponto mais alto é o distrito de Río Verde (1.390 metros acima do nível do mar) e a parte mais baixa é o Rio das Antas (afluente do Rio do Peixe) com 780 metros acima do nível do mar. A região de Caçador tem vocação florestal, com 23% da área (22.454 ha) coberta por plantios florestais e 16% (15.426 ha) sob cobertura florestal natural. Cerca de 94% de sua superfície é coberta pela Floresta Ombrófila Mista (FOM), nde existem algumas espécies consideradas ameaçadas de extinção como Araucaria angustifolia, Ocotea porosa, eOcotea catharinensis.

 

 

As Unidades de Conservação (Floresta Nacional e Estação Experimental da Embrapa), os Corredores Biológicos de Chapecó e Timbó e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe são algumas das estratégias de conservação já existentes no município. A Mata Nacional do Caçador foi criada em 1954 e abrange uma área de 710 hectares, sendo uma área selvagem protegida de uso sustentável que permite a permanência de populações tradicionais e o uso múltiplo sustentável dos recursos da floresta. A pesquisa é incentivada e a visitação pública permitida. O núcleo da FMCDR é a Estação Experimental, área pública que pertence formalmente à Embrapa e abrange 1.157 ha de cobertura florestal, representando aproximadamente 94% da FOM. Não é uma área selvagem protegida por lei, mas é uma área com objetivo de pesquisa e conservação.

 

¿Qual é a sua diversidade sociocultural e económica?

 

Caçador tem uma população estimada de 79.313 habitantes (IBGE, 2020), dos quais 11% pertencem à zona rural (54% sendo homens) e 89% à zona urbana. A incidência de pobreza em Caçador atinge 36,3% da população do município.

 

Os setores produtivos mais relevantes (pela sua contribuição para o PIB) são a indústria, os serviços e a atividade agrícola. O município conta com a presença de 204 empresas produtoras de madeira, celulose e papel. No setor agrícola, a produção é composta por culturas de tomate, milho e frutas (uvas, maçãs, pêssegos), entre outras.

Alianças


Visão

Ser um território onde a identidade e a cultura locais sejam ambientais e onde se busque o desenvolvimento sustentável por meio da gestão integrada da paisagem e da educação ambiental, proporcionando uma melhor qualidade de vida.

 

Missão

Proporcionar melhor qualidade de vida e a conservação do meio ambiente por meio da gestão participativa do território, do fortalecimento da agricultura familiar, e da identidade cultural, bem como do melhoramento, conservação e uso dos recursos florestais e hídricos.


 

¿Quem compõe a Floresta Modelo Caçador?

 

 

¿Como são tomadas as decisões?

 

A FMCDR está em busca de um modelo de governança adequado. As decisões são geralmente discutidas entre alguns parceiros que têm participação direta em determinada ação ou atividade.

 

¿Como estão organizados internamente?

 

 

Sustentabilidade


Objetivos estratégicos

 

OE1: Promover a cultura, os produtos, costumes e serviços do território.

OE2: Estabelecer modelos de gestão dos recursos florestais da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucárias).

OE3: Fortalecer o modelo de gestão dos recursos hídricos do território.

OE4: Definir ações que facilitem a apropriação do conceito e gestão da FMCDR.

 

 


 

¿Quais ações a Floresta Modelo realiza?

 

Pesquisa

 

Ensaios silviculturais (2004 – 2021), em parceria com a EMBRAPA. Basearam-se em 3 linhas: sistemas agroflorestais; restauração de florestas e áreas degradadas; manejo florestal em sistemas tradicionais de produção Isso é feito por meio do desenvolvimento de atividades como manejo florestal de bambu e plantios florestais, e regeneração natural. Os resultados são publicados regularmente em publicações técnico-científicas. Com isso, a FMCDR possui um banco de dados robusto para desenvolver modelos completos de restauração florestal.

 

Inventário Florestal da FMCDR (2016),em parceria com a EMBRAPA, EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Serviço Florestal Brasileiro, cuja metodologia de coleta de dados seguiu os mesmos padrões do Inventário Florestal Nacional, porém utilizando uma amostragem sistemática densa (áreas de 5×5 km). Como parte do processo de governança territorial, os resultados foram apresentados e discutidos em 2019, com representantes de empresas florestais, universidades, Serviço Florestal Brasileiro, Embrapa e Câmara Municipal de Caçador, a fim de receber contribuições para um nível de análise de resultados dendrométricos e resultados socioambientais.

 

 

 

Formação e troca de experiências

 

Oficina FEAST (Fomentando a Agroecologia Efetiva para a Transformação Sustentável) 2019,em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Mateus do Sul, EPAGRI, IAPAR, EMBRAPA, CEDErva, Wilfried Laurier University (Canadá), University of Guelph (Canadá), FLEdGe Research ( sede no Canadá), Universidade Pinar del Río (Cuba), Universidade Autônoma de Chapingo (México), Erva Mate 5 Estrelas, J. Marcondes Transportes e Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde agricultores e pesquisadores do projeto realizaram viagens de campo (incluindo a FMCDR) para visitar florestas de araucária com erva-mate e discutir como aplicar, incentivar e desenvolver boas práticas agrícolas que causam menos impacto no ecossistema. Com isso, foi possível identificar temas e desafios comuns às diversas culturas participantes, bem como possibilidades de pesquisas conjuntas no futuro.

 

XXX Encontro do Fórum Florestal em Caçador (2018), em parceria com a EMBRAPA; EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina; Companhia Florestal ADAMI; ONG Gato-do-Mato, onde foram compartilhadas as ações das empresas florestais na FMCDR, apresentado o programa florestal do WRI Brasil, que tem como foco a Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas, com o objetivo de estimular os proprietários rurais a serem parte do programa. O evento contou com a presença de ONGs, empresas e associações do setor e instituições de ensino. Os temas discutidos foram indicados como opção para integrar o Programa de Regularização Ambiental de Santa Catarina.

 

 

Projetos de desenvolvimento sustentável

 

Estradas com araucárias (2013 – 2018), em parceria com a Empresa Transporte e Logística OTD BRASIL e a EMBRAPA. Foi a primeira iniciativa bem-sucedida de pagamento por serviços ambientais (compensação das emissões de gases de efeito estufa) e afetou positivamente a renda anual do pequeno agricultor ao mesmo tempo em que foi promovido o plantio da espécie símbolo da floresta com araucárias. Com isso, as famílias envolvidas tiveram renda adicional pelos serviços ambientais gerados pelas araucárias plantadas por 5 anos.

 

Restauração produtiva de ambientes florestais degradados (2021 – 2025), em parceria com a EMBRAPA e a Empresa Juliana Florestal, busca-se ter um modelo de restauração produtiva, aplicado e validado em florestas nativas da FMCDR, além de aumentar o cultivo de erva-mate na região.

Impactos

Impactos no capital cultural e natural

 

Fortalecimento da consciência ambiental e conservação e gestão dos recursos naturais

 

O trabalho de pesquisa realizado pela Embrapa nas florestas nativas de sua Estação Experimental tem chamado a atenção de empresas florestais que possuem grandes áreas com florestas nativas igualmente degradadas e improdutivas. Com o objetivo de aproveitar um recurso antes inexplorado, as empresas estão dispostas a financiar projetos de pesquisa relacionados à restauração dessas florestas com erva-mate. Isso dá visibilidade à Floresta Modelo e promove outras atividades como a capacitação de técnicos nas empresas, a adoção de modelos de restauração em planos municipais com pequenos agricultores e a promoção do cultivo de um recurso da cadeia alimentar dentro da floresta nativa, de maneira sustentável.

 

Desafios

  • Recuperar os espaços ou adaptar-se às novas dinâmicas trazidas pela pandemia, que dificultam o trabalho de pesquisa em campo, o contato entre os atores e o esforço coletivo para melhorar a governança da FMCDR.
  • Busca por novas lideranças locais, já que os principais interlocutores com os proprietários rurais se aposentaram ou não moram mais em Caçador.
  • Uma vez recuperado o contato entre agricultores, empresas, instituições públicas (incluindo o município), bem como instituições de pesquisa e ensino, é necessário e oportuno que as lições e experiências exitosas na FMCDR – especialmente aquelas geradas por pesquisas na área de restauração de ambientes florestais produtivos – possam ser replicadas em outras partes do território.